Musica italiana – Claudio Baglioni

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Ciao, ragazzi!

Vi presento un cantante italiano che, dopo tanti anni di carriera, fa ancora tantissimo successo in Italia. Il suo nome è Claudio Baglioni, nato a Roma il 16 maggio 1951. In mezzo a tante canzoni famose, ho scelto “A modo mio”, che ho tradotto in lingua portoghese (la mia lingua materna). Spero che vi piaccia!

A modo mio
Do meu jeito
(Claudio Baglioni)

Io nella vita ho fatto un po’ di tutto Eu na vida fiz de tudo um pouco
non so se ho fatto poco oppure tanto não sei se fiz pouco ou muito
non sono stato un santo e questo lo sa pure Dio não fui um santo e isso até Deus sabe
lo sa pure Dio até Deus sabe
ho camminato con la pioggia e il vento caminhei com a chuva e o vento
ho riso spesso e qualche volta ho pianto ri muitas vezes e algumas vezes chorei
e cento e mille volte son rimasto solo io e cem mil vezes fiquei
ma me la son cavata mas sempre me virei 
sempre a modo mio sempre do meu jeito
a modo mio do meu jeito
a modo mio do meu jeito
a modo mio do meu jeito
che tu ci creda o no que você acredite ou não
a modo mio do meu jeito
a modo mio do meu jeito
a modo mio do meu jeito
avrò sbagliato ma talvez tenha errado mas
a modo mio do meu jeito
e tu che sei comparsa tutto a un tratto e você que apareceu assim de repente
e in un momento hai colorato tutto e em um momento coloriu tudo
tu sei diversa sei importante ed ho paura io você é diferente, é importante e eu tenho medo
ho paura io eu tenho medo
e chissà se ci riuscirò e quem sabe se eu conseguirei
a dirti che te dizer
ti amo a modo mio te amo do meu jeito
a modo mio do meu jeito
a modo mio do meu jeito
per una volta ancora mais uma vez
a modo mio do meu jeito
a modo mio do meu jeito
a modo mio do meu jeito
poi sei venuta tu depois veio você 
amore mio meu amor

Arrivederci e buon ascolto!

Claudia V. Lopes

Il sostantivo in italiano

Al mercato delle pulci

(Mercato delle pulci – Milano – crediti: WEB)

  • Scusi, questo che cos’è?
  • È una radio, signora!
  • Ah! E questo?
  • Una clessidra.
  • Lei ha cose antiche molto belle nella sua bancarella, ma adesso ho un po’ di fretta. Ritornerò più tardi, spero di ritrovarla.
  • Sarò qui fino alle 15:30.
I mercati delle pulci
(crediti immagine)

Il sostantivo (o il nome), è la parola che di solito indica un elemento che appartiene alle seguenti categorie: persona, animale, cosa, luogo, idea o concetto. Nella lingua italiana, così come in tante lingue del mondo, ci sono solo due possibilità: maschile o femminile. Tuttavia, è molto importante osservare la fine delle parole (cioè, le desinenze), perché è quello che ci dà tutte le informazioni necessarie sul genere.

maschile

-0

femminile

-a

radio

orologio

tavolo

quaderno

negozio

casa

clessidra

amica

bocca

cosa

Tuttavia, c’è anche un gruppo molto ampio di nomi che terminano in –e, che può essere maschile o femminile:

maschile femminile
e e
pesce, fiume, nome chiave, luce, gente

In molti casi, il suffisso può fornirci alcune informazioni sul genere dei nomi che terminano in –e:

  • GENERALMENTE, sono maschili i sostantivi che finiscono in –ore, –one, –ale, –ile: furore, pallone, giornale, fucile;
  • GENERALMENTE, sono femminili i sostanti che finiscono in –ione,  –ie: supervisione, specie.

Arrivederci e buono studio!

Claudia V. Lopes

Bibliografia:

1 –  DARDANO, Maurizio e TRIFONE, Pietro. Parole e Frasi. BolognaZanichelli Editore Spa, 1985.

2 – COLOMBO, Federica. Grammatica e Pratica. Recanati, Eli editore, 2006.

Se il post vi è piaciuto, fatecelo sapere nei commenti!

As preposições simples e contraídas do italiano

– Anna arriva in aereo?
– No, arriva in treno.
– A che ora?
– Alle tre.
– Quindi tra cinque ore.
– Dov’è il mio libro di matematica?
– Sulla tua scrivania.
– Non lo vedo!
– Forse è sotto gli altri libri.
– L’ho trovato, era sullo scaffale.

Como perceberam nos pequenos diálogos, as preposições são amplamente usadas no italiano, assim como em qualquer língua estrangeira. Não são raras as vezes que ouço alunos reclamando sobre o quanto é difícil, no início dos estudos, entender o seu uso, sobretudo quando diferem dos da língua portuguesa. No inglês e no alemão (línguas que estudo até hoje) nem sempre é fácil saber qual usar. Contudo, a meu ver, é necessário primeiro entender o que são as preposições e para que servem.

A preposição (lat. praepositiōne) é uma palavra invariável que colocada antes de um substantivo, adjetivo, pronome e inúmeros advérbios relaciona-os mutuamente, formando, por sua vez, complementos e proposições. Na língua italiana existem inúmeros complementos (complemento di termine, di argomento, di abbondanza, etc.), que estudaremos um a um nos próximos posts. As proposições italianas simples são di, a, da, in, con, su, per, tra, fra, que contraídas (articolate) com os artigos definidos (articoli determinativi) il, lo, l’, la, l’, i, gli, le formam as preposições contraídas (preposizioni articolate). Observem a tabela abaixo:

Microsoft Word - preposizioni_semplici_articolate_doc

Naturalmente, não podemos consultar a tabela acima todas as vezes que falarmos ou escrevermos em italiano, seria absurdo. Contudo, aconselho que comecem a prestar atenção na regência verbal e nominal, consultando um bom dicionário, pois é ela que nos indicará qual preposição usar, se é simples ou articulada ou se não devemos usá-las. Um bom exemplo é o verbo “sognare”, que na sua forma transitiva pode ou não ser regido por preposição:

Ieri sera ho sognato te. (Ontem à noite sonhei com você)
Ho sognato il mare . (Sonhei com o mar.)
Carlo ha sognato di essere medico. (Carlos sonhou que era médico.)

Em uma tradução, devemos lembrar que sonhar é também um verbo transitivo indireto regido pelas preposições “com” e “em”. Mas, sobre essas questões, falaremos depois.

Arrivederci e buono studio!

“A parte” ou “Apparte”: qual é a forma correta em italiano?

Talvez essa seja uma das dúvidas mais comuns na língua italiana, assim como o é em português: escrevemos “a parte” ou “apparte“? Nós também temos a locução “à parte”, erroneamente escrita, por muitos falantes de língua portuguesa, “aparte”, que existe e é um substantivo (aparte) ou um verbo (apartar) de múltipla transitividade (ex.: que eu/você/ele aparte).

duvidas

(créditos: Web)

No caso italiano, essa é uma dúvida efetivamente legítima, uma vez que alguns dicionários aceitam ambas as formas como corretas. Mas atenção! Na língua italiana também existe o verbo transitivo “appartare”, que significa “mettere da parte, in disparte; segregare“. Na sua forma reflexiva “appartarsi“, significa “tirarsi da parte, starsene in disparte; allontanarsi, isolarsi“. Voltando ao tema deste post, qual seria, então, a forma correta da locução italiana em questão? De acordo com a Accademia della Crusca, a forma correta é “a parte“, e a maioria dos dicionários a adota. A locução “a parte” é composta por duas palavras, ou seja, a preposição simples “a” e o termo “parte“. Vale ressaltar que a forma “apparte” é considerada, por muitos estudiosos, como correta por espelhar o fenômeno do “raddopiamento fonosintattico“, isto é: a duplicação da primeira consoante “p” (apparte), que, frequentemente, como nesse caso, acaba por ser reproduzida na escrita.

Naturalmente, esse tipo de questão não diz respeito somente à locução “a parte“, existem inúmeras outras que causam dúvida na hora de escrever, por isso, aconselho que consultem sempre um bom dicionário, antes de usar e assimilar a forma errada.

dicionario

(créditos: CNN)

Exemplos:

A parte il freddo, non ho voglia di uscire stasera. Além do frio, não estou com vontade de sair hoje à noite.
A parte la modestia, abbiamo veramente una bella casa. Modéstia à parte, temos realmente uma bela casa.
A parte il fatto che la monografia è stata consegnata in ritardo, il testo che hai scritto non va bene. Além do fato que a monografia foi entregue atrasada, o texto que você escreveu não está bom.

Arrivederci e buono studio!

 

 

 

Os nomes dos animais em italiano

Ciao a tutti!

Que tal aprender o nome de alguns animais em italiano?

os animais - web

(crediti dell’immagine: web)

il cane – o cachorro/o cão

l’aquila – a águia

il gatto – o gato

la gallina – a galinha

il gallo – o galo

la mucca – a vaca

la giraffa – a girafa

il coniglio – o coelho

il vitello – o bezerro

il maiale – o porco

il lupo – o lobo

la pecora – a ovelha

l’ariete/il montone – o carneiro

l’uccello – o pássaro

la tartaruga – a tartaruga

la capra – a cabra

la pantera – a pantera

il topo – o rato

il pipistrello – o morcego

il cammello – o camelo

la tigre – o tigre

l’orso – o urso

lo scoiattolo – o esquilo

la talpa – a toupeira

il cavallo – o cavalo

il castoro – o castor

l’ippopotamo  –  o hipopótamo

lo scorpione – o escorpião

il canguro – o canguru

la zebra – a zebra

l’elefante – o elefante

la scimmia – o macaco

Alcuni proverbi per arrichire il vosltro lessico:

1 – Meglio un uovo oggi che una gallina domani – é melhor um pássaro nas mãos do que dois voando.

2 – Gallina vecchia fa buon caldo – Panela velha é que faz comida boa.

3 – A cavall donato non si guarda in bocca – A cavalo dado não se olham os dentes.

Arrivederci e buono studio!

Música italiana: Il Volo

Ciao a tutti!

Ontem à noite [ieri sera], postei no Facebook um vídeo de um grupo italiano chamado “Il Volo” constituído por três rapazes [da tre ragazzi], dois tenores e um barítono: Piero Barone, Ignazio Boschetto e Gianluca Ginoble. Apesar de serem tão jovens [Nosnostante siano così giovani], interpretam clássicos da música internacional em espanhol, inglês, francês, alemão, latim e da música italiana, como, por exemplo: ‘O sole mio, Torna a Suriento, Mamma, Funiculì funiculà, ‘O surdato ‘nnmmurato, etc. O grupo venceu [ha vinto] o Festival di Sanremo, em 2015, com a canção Grande amore (traduzida no final deste post), que esteve nas paradas de sucesso por meses.

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(créditos da imagem: Vanity Fair)

O trio nasceu [il trio è nato] em 2009, durante a participação dos três cantores na segunda edição do Talent show para crianças chamado Ti lascio una canzone. Piero Barone (de Naro, província de Agrigento, Sicília) – o componente mais velho [più grande] do grupo – ainda não tinha completado 16 anos; os outros dois, Ignazio Boschetto e Gianluca Ginobe (ambos de Marsala, Sicília), tinham cerca de 14 anos. Todos se apresentaram como solistas por ocasião da segunda seleção para novos concorrentes, antes da qual não se conheciam [non si conoscevano].

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(créditos da imagem: Trieste Prima)

Durante a competição, os três  jovens foram selecionados para interpretarem o clássico italiano  ‘O sole mio. A partir desse momento [Da questo momento], o trio continuará a se apresentar como The Tryo, Il Trio e, por fim, Il Volo.

Escolhi para vocês justamente a canção com a qual Il Volo venceu o Festival di Sanremo, em 2015. A tradução é minha, tentei  ser fiel à letra o máximo possível. Preparem o lencinho para enxugar as lágrimas, pois a interpretação desse trio nos emociona profundamente.

Grande amore                                                   Grande amor

Chiudo gli occhi e penso a lei Fecho os olhos e penso nela
Il profumo dolce della pelle sua O perfume doce da sua pele
E’ una voce dentro che mi sta portando dove nasce il sole É uma voz interior que me está levando aonde nasce o sol
Sole sono le parole Sozinhas são as palavras
Ma se vanno scritte tutto può cambiare Mas se são escritas, tudo pode mudar
Senza più timore te lo voglio urlare questo grande amore Sem nenhum medo, quero gritar para você esse grande amor
Amore, solo amore è quello che sento Amor, só amor, é o que sinto
Dimmi perché quando penso, penso solo a te Me diga por que, quando eu penso, penso só em você
Dimmi perché quando vedo, vedo solo te Me diga por que, quando eu vejo, vejo só você
Dimmi perché quando credo, credo solo in te grande amore Me diga por que, quando eu acredito, acredito só em você, grande amor
Dimmi che mai Me diga que nunca
Che non mi lascerai mai Que você me deixará nunca
Dimmi chi sei Me diga que você é
Respiro dei giorni miei d’amore Respiro dos meus dias de amor
Dimmi che sai Me diga que sabe
Che solo me sceglierai ora lo sai Que escolherá só a mim, agora você sabe
Tu sei il mio unico grande amore Você é o meu único grande amor
Passeranno primavere, Passarão primaveras
Giorni freddi e stupidi da ricordare Dias frios e estúpidos para serem lembrados
Maledette notti perse a non dormire altre a far l’amore Malditas noites perdidas,  sem dormir, outras fazendo amor
Amore, sei il mio amore Amor, você é o meu amor
Per sempre, per me. Para sempre, para mim.
Dimmi perché quando penso, penso solo a te Me diga por que, quando penso, penso só em você
Dimmi perché quando amo, amo solo te Me diga por que, quando amo, amo só você
Dimmi perché quando vivo, vivo solo in te grande amore Me diga por que, quando vivo, vivo só em você, grande amor
Dimmi che mai Me diga que nunca
Che non mi lascerai mai. Que não me deixará nunca
Dimmi chi sei Me diga que você é
Respiro dei giorni miei d’amore Dimmi che sai Respiro dos meus dias de amor, me diga que sabe
Che non mi sbaglierei mai, dimmi che sei Que eu nunca erraria, me diga que você é
Che sei il mio unico grande amore Que você é o meu único grande amor

Arrivederci e buon ascolto! 

Por que estudar italiano?

Quando me inscrevi no vestibular da UFF, em 1994, para o curso de letras português – italiano, muitas pessoas me perguntaram por que eu tinha escolhido justamente o italiano, visto que não era nem mesmo descendente e, além do mais, não seria uma língua que me daria “um futuro” profissional promissor como me daria, por exemplo, o inglês. O único contato que tinha tido com a língua italiana foi no período em que estudei no Istituto Italiano di Cultura, muitos anos antes de prestar vestibular. Lembro que, naquela época, uma amiga de trabalho me falou de um cantor italiano chamado Eros Ramazzotti, que tinha acabado de lançar um CD cujo nome era Più bella cosa, que não sei como não furou de tanto que ouvi!

Colosseo - Wikimedia commons

(Coliseu – créditos da imagem: Wikipedia)

Na verdade, semanas antes, eu tinha prestado vestibular para a UERJ e UFRJ (português – inglês), sem ter conseguido passar para nenhuma das duas. Quando chegou o dia do vestibular da UFF, eu estava convencida de que não passaria, me sentia até um pouco triste e desmotivada. Para minha surpresa, não só passei, como passei em 4° lugar! Todo o meu sacrifício, todas as minhas noites sem dormir e o meu cansaço crônico tinham sido premiados: eu era, oficialmente, aluna de letras da UFF e a minha viagem através do universo da italianística estava apenas começando.

Riva_del_Garda

(Lago di Garda – créditos da imagem: Wikipedia)

Todavia, a pergunta “por que estudar italiano?” pode gerar muitas respostas, pois a maioria dos alunos o faz por motivos vários, que, nem sempre, têm a ver com a escolha profissional, como é o caso do inglês, por exemplo. Muitas pessoas se inscrevem em um curso de italiano por serem descendentes, para as quais a língua italiana é um patrimônio de família que deve ser preservado e transmitido de pai para filho e assim por diante. Tive alunos descendentes que, quando contavam a história do bisavô ou da bisavó, ficavam com os olhos marejados de lágrimas, pois eram histórias de sacrifícios e privações que quase todos os imigrantes vivenciaram, quando saíram da Itália “per fare l’America“, ou seja, tentar uma vida melhor em terras americanas. Outros estudam italiano simplesmente porque o acham uma língua bonita, sonora, doce, romântica; todos adjetivos que ouvimos pelo menos um vez na vida relacionados à língua italiana.

Vale ressaltar que o ápice da imigração italiana no Brasil deu-se entre os anos de 1880 e 1930. A maior parte dos ítalo-brasileiros (descendentes de imigrantes italianos) concentra-se, sobretudo, nos estados do Sul e do Sudeste do Brasil. De acordo com dados estatísticos fornecidos pela Embaixada Italiana, em 2013, cerca de 30 milhões de descendentes de italianos viviam no Brasil, isto é: 15% da população brasileira (metade do Estado de São Paulo).

la moda nell'antica roma - archeoclubtorre

(Créditos da imagem: archeoclubtorre)

Não precisamos de estatísticas para intuir o quanto da cultura italiana está inserida na cultura brasileira, o quanto somos, em algum modo, todos descendentes de italianos. Acredito que a descendência mais significativa é a que chegou até nós por meio do latim: afinal, Roma foi o berço do Império Romano. Em que medida, até hoje, não somos também um pouco romanos? Italiano, português, francês, espanhol, romeno são todas línguas neolatinas, filhas do latim vulgar falado pelas ruas de Roma e de todos os territórios conquistados pelas legiões romanas.

antichi romani - pulcinella

(Créditos da imagem: Pulcinella)

Já pararam para pensar quantos vocábulos os imigrantes italianos deixaram de herança à língua portuguesa? Quantos deles usamos todos os dias sem nos darmos conta? Darei apenas alguns: adágio, andante, camarim, caricatura, aquarela, madrigal, serenata, sonata, soneto, soprano, violino, violoncelo, arlequim, artesão, pastel, cantina, capricho, carnaval, mortadela, gazeta, palhaço, polenta, poltrona, trampolim, macarrão, salame, salsicha, etc. Todos vocábulos, como podemos perceber, de grande cultura ligados às diversas áreas do saber.

emigrazione italiana

(Imigração Italiana – créditos da imagem: Wikipedia)

Quem nunca ouviu dizer que o italiano é a língua das artes, da poesia, da moda, da culinária, da música? De fato, a musicalidade da língua italiana é considerada “la più bella del mondo“, pois até mesmo os verbos terminam por vogal. Quantos de nós não sabem pelo menos uma canção italiana de memória graças, sobretudo, à série de novelas que abordaram, exatamente, imigração italiana no Brasil? Na verdade, o italiano é considerado língua franca no campo da musica clássica, que, há séculos, reúne músicos e compositores provenientes de todo o mundo. Termos inerentes ao universo musical, como, por exemplo, andante con moto, larghetto, crescendo, pizzicato, adagissimo, maestoso, adagio un poco mosso, allegro, e assim por diante, nunca tiveram um tradução adequada e unívoca, razão pela qual são usadas, muitas vezes, em língua original.

Por fim, poderia colocar aqui tantas outras motivações que  levam os estudantes que, como eu, não são descendentes e escolherem a italianística como objeto de estudo para toda a vida, mas acredito que cada um tem a sua motivação pessoal, seja qual for. Então, a resposta à pergunta “por que estudar italiano?” já foi respondida nas entrelinhas deste texto.

Arrivederci e buona lettura!

Carta aos leitores

Olá a todos! Com certeza muitos de vocês já me conheçam como colaboradora do Dicas de Italiano, de cujos posts sou responsável já há algum tempo. Antes de tudo, gostaria de falar um pouco de mim: me chamo Cláudia Lopes, sou carioca, mas moro há 15 anos no exterior. Morei por 7 na Itália e desde 2009 vivo em Zurique, Suíça. Sou formada em letras (português-italiano) pela URFJ, universidade que carrego, até hoje, no coração.

venezia - lontano non esiste

(Veneza – créditos da imagem: Lontano non esiste)

Apesar da distância do meu país, nunca me afastei da minha cultura e, sobretudo, da minha língua. No período em que vivi na Itália, tive a oportunidade de trabalhar como leitora de língua portuguesa na Università degli Studi di Bari. Confesso que foi uma experiência suis generis, porque fui solicitada a ensinar a variante europeia do português, ou seja: tive estudar primeiro para poder ensinar, pois eu nada sabia da língua portuguesa falada em Portugal, e muito menos da cultura. No fundo, essa constatação não deixava de ser inusitada. Afinal, a língua portuguesa falada no Brasil é herança do colonizador, do qual nos distanciamos em modo significativo, a ponto de nada sabermos em relação aos patrícios. Na verdade, não é que não saibamos o quanto da cultura portuguesa está inserida na cultura brasileira, não nos damos conta. Quem sabe algum dramaturgo resolve fazer uma novela sobre Portugal, assim como fizeram sobre a Itália?

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(Fontana di Trevi – créditos da imagem: Wikipedia)

Além de professora de português e italiano, sou também tradutora há mais de 15 anos. Traduzo do inglês e do italiano para português e, dependendo do texto, do português para o italiano. No momento, estou às voltas com o alemão, que exige de mim muito estudo e muita dedicação, não por ser uma língua difícil como se costuma dizer, é só diferente. Uma língua estrangeira é como um amigo: temos que aceitar do jeito que é.

A língua italiana para mim, há muito, é como se fosse a minha segunda língua. Em casa, Sofia, minha filha, fala italiano com o pai, que é italiano, português comigo e, claro, alemão na escola e com os amigos. Vivemos um situação linguística rica, pois Sofia é perfeitamente trilíngue.

Torre di Pisa

(Torre di Pisa – créditos da imagem: Wikipedia)

Affresco Italiano, como já devem ter percebido, será um espaço para o estudo/aprendizagem da língua e da cultura italianas, em seu sentido mais amplo. Seguirei, mais ou menos, a linha de trabalho que tenho desenvolvido no Dicas de Italiano, para o qual continuarei a escrever.

Um grande abraço a todos e até breve com tantas novidades!